quinta-feira, 10 de julho de 2008

O Dragão


"Soltar fogo pelas ventas".. é assim que as pessoas expressam seu sentimento à respeito de alguém furioso, raivoso, em fúria.
É assim que me sinto com certa frequência... soltando fogo pelas ventas.
Não sou uma pessoa raivosa, mas por algum motivo, tive que aprender a me defender, a defender minhas coisas, meus pensamentos.
Fui uma criança frágil, chorona e hoje desprezo as pessoas que choram muito ou que são muito frágeis.
Aprendi, a duras penas, que o romantismo não tinha grande função na minha vida... fiquei dura, realista, embora conserve alguma doçura que, penso, é da minha essência. Hoje o lado doce e carinhoso é exclusivo dos meus filhos. Acho que preservei para que eles pudessem usufruir de uma mãe mais acolhedora e continente.
Não sou pedra, mas sou quase.
Criei uma casca para o mundo, para os problemas e o sofrimento. É assim que me sinto forte.
Acho que as tartarugas também são assim... projetam sua força no casco.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Eu quero um amor pra toda a vida...

Sinto falta do romance, do frio na barriga, da paixão, do arrepio antes do beijo.
Sempre idealizei um amor romântico.
Eros e Psique.
Incondicional (se é que isso existe)
Mas a convivência, os problemas, o trabalho, as finanças... a realidade engole o romance e mata minha alma um pouco por dia.
Eu sonho, e lá neste lugar onírico tenho outra vida.
Refugio-me nas fantasias de amor e romance, sem encontrar eco na realidade... e me apaixono por sombras, fantasmas e idéias.
A vida, às vezes, cansa.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma
.Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Felicidade, ainda que tardia

Em meio a tantas coisas pra fazer, cá estou eu. Depois de um longo intervalo, volto a escrever memórias mas nem tanto.
Não consigo me concentrar pra fazer os relatórios que preciso, pois alguma histórias martelam minha mente e aí a atenção vai pro saco (que eu não tenho), e fico aqui ruminando lembranças.
Acabamos de sair de um feriado prolongado, viajei com as crianças. Só eu sei como me custa dirigir em estradas, embora adore sair de São Paulo. Tudo de praxe, malas feitas, doses de dramim para evitar surpresas e vamos lá. Destino Cravinhos, proximidades de Ribeirão Preto, calor de matar, três horas e meia (com sorte), três dias parecem curtos demais. Colo de mãe, casa da vovó, comida à rodo, interiorzão, quermesse do padre, bingo, pescaria, bola na boca do palhaço... milho verde, milk shake, trenzinho da alegria pra criançada.
Tudo deveria ser alegre e gostoso, e é. Mas algo em mim vive numa nostalgia não muito clara. A nostalgia da criança que não quer crescer. Ali me sinto pequena, frágil, menina.
Remonto minha infância e adolescência, e quando olho para os meus filhos, parece que não são meus. É como se não tivesse crescido. Sensação estranha que só vai embora quando tenho que voltar... e, mesmo assim, demora...

quarta-feira, 23 de abril de 2008

O Medo

" O medo tem muitos olhos e enxerga coisas no subterrâneo"
Dom Quixote

quarta-feira, 9 de abril de 2008

o primeiro capítulo da novela

Numa dessas noites de insônia lembrei de histórias, coisas que vivi. Esse negócio de escrever auto-biografia mexe com a cabeça da gente.
Queria postar mais, às vezes fico com medo do que minha memória vai trazer. Que coisa! Medo das lembranças... na realidade medo dos fantasmas... mas já que me propus a fazer isso, devo ser corajosa.
Lembrei do primeiro namorado...rsrsrsrs
Sequer lembro o nome do dito cujo, mas lembro das feições e do jeito. Lembro de sensações e mal estares.
Foi no meu aniversário de 14 anos (precoce eu??!!). Fiz uma festinha no salão de festas do prédio e pedi que minha mãe não participasse, seria a primeira festa sem a sua participação, mas tal fato seria determinante aos acontecimentos. Todos os meus amigos tinham medo da minha mãe, muito séria, autoritária, daquelas que vai te buscar na rua de pijama e lenço na cabeça se vc demora ou perde a hora. Vergonha total para uma adolescente.
Bem, estavam lá algumas amigas e alguns meninos que moravam nas redondezas e que faziam parte da turminha.
Não sei bem como aconteceu, pois eu nem o paquerava. Uma das minhas amigas gostava dele, mas quando percebi já tinha beijado. Foi o primeiro beijo... sem graça, desajeitado, sem gosto, meio esquisito, sem tesão, sem atração... e dali surgiu um namorico que durou pouco, e pelo qual tive que pedir muitas desculpas a essa minha amiga que gostava dele.
Não fui mal intencionada, não quis roubar o namorado dela, apenas a curiosidade de beijar é que me moveu. Não pensei nas consequencias e que poderia magoar outra pessoa, mas o fiz, é fato.
Minha mãe, obviamente, surtou quando soube do namoro e me obrigou a terminar.
Minha simpática irmã mais velha colocou todos os apelidinhos pejorativos que pôde inventar no pobre do garoto.
E eu... fiquei ridicularizada, perdi a confiança das amigas, e sem namorado.
Bela história!!
Vejam como comecei com o pé direito minha vida afetiva.
Ah! Paulo, o nome dele era Paulo.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Já ri até chorar, já chorei copiosamente, sem controle.
Amei homens feios de doer, amei bonitos também.
Já tomei chuva no meio do caminho, já saí na chuva por livre e espontânea vontade.
Já rasguei a calça em parque público e não percebi. Já passei vergonha, senti orgulho, xinguei no trânsito.
Já bati o carro, já atropelei, atravessei a rua sem olhar.
Já morri de medo. Já enfrentei o perigo de frente e desarmada.
Fui rata de academia e tive o corpo sarado, e também passei por fases de extremo sedentarismo e barriguinha mole, sem vontade de fazer nada.
Já sofri (muito) por amor, já chorei sozinha na rua, já implorei por atenção.
Já me arrependi tarde demais, já tentei voltar no tempo.
Já fracassei.Venci. Fui. Voltei.
Já tive vontade de morrer.
Já sofri decepções e certamente já decepcionei também.
Já casei. Já tive filhos.
Já tive vontade de me separar, já tive saudade da vida de solteira.
Já me apaixonei por homens virtuais, mas caí de amores mesmo pelos reais.
Já fui romântica, melosa. Já endureci, gelei, perdi o romantismo.
Já tive saudade e chorei.
Já tentei e não consegui.
Já desisti.
Já tentei de novo e consegui.
Já pintei o cabelo de vermelho, e de azul e de louro também.
Já me vi linda, já me vi medonha.
Às vezes acho que sou a mais normal das pessoas, às vezes penso que uma internação não seria nada mal.
Já contei os dias.
Já contei os dedos.
Já fiquei sem grana.
Já achei que tinha demais.
Já pensei que não iria conseguir.
Já repeti os mesmos erros do passado.
Já menti.
Já enganei.
Já fui sincera, disse todas as verdades.
Já fingi que dormia, só pra saber o que os outros fazem enquanto durmo.
Já descobri coisas que não gostei.
Já fui insultada, diminuída.
Já fui reconhecida.
Já oscilei, fiquei em dúvida. Já decidi. Já tive dívidas.
Já senti raiva, já perdoei, já fui perdoada.
Já falei o que não devia.
Já fui mal interpretada.
Já me senti feliz por um minuto.
Mas ainda há tantas outras coisas pra fazer e sentir e viver e sonhar e buscar e..................