terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Cecília





Cecília escreveu:




"No mistério do sem-fim


equilibra-se um planeta.


No planeta, um jardim.


No jardim, um canteiro.


No canteiro, uma violeta.


E na violeta, entre o mistério


do sem-fim e o planeta,


a asa de uma borboleta"




A Cecília sabe das coisas.


Ela sabe que a beleza é simples e expressa na simplicidade da sua escrita.


Mas, mais do que tudo, ela sabe da força que existe na fragilidade.


Ela sabe que na asa da borboleta pode repousar todo o universo.


Obrigada, Cecília!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Da inocência da pergunta à paciência para respondê-la


A curiosidade pode ser uma benção, mas também uma tragédia. A natureza curiosa e inventiva das crianças nos colocam em situações difíceis, impensadas.
As perguntas fantasiosas, muitas vezes exigem respostas fantasiosas e, para tanto, precisamos entrar em contato com as nossas próprias fantasias de criança. Aquelas que ficaram guardadas a sete chaves ou caíram no esquecimento promovido pelo "amadurecimento", pela idade, pela vida (ou outras tantas desculpas que encontramos para justificar nossa ignorância e afastamento do mundo infantil).
A verdade é que somos muito burros. Não nos equiparamos, em inteligência e esperteza, a uma criança de tres anos. Devemos admitir que eles estão muito além do que fomos e somos.
Li um texto da Denise Fraga (a atriz mesmo) no qual conta sua experiência com o filho. Em um determinado momento o pai diz: "fulaninho, fecha a boca e come", expressando sua total falta de tolerância com o filho que estava à mesa, agitado e impaciente. E ela descreve, então, a expressão de incompreensão no rosto do menino tentando imaginar como seria comer de boca fechada.
É aqui que mora a incoerência adulta.
Ontem, meu filho de tres anos disse: "mamãe, quando o pássaro pára, ele cai". Fiquei imaginando a cena, um pássaro em pleno vôo, pára e despenca. Num primeiro momento pensei em dizer: "não, meu filho, ele plana", ou dar qualquer outra explicação racional e realística. Em seguida desisti e respondi com um sonoro "é mesmo?! ele cai? será?". Então pude perceber que aquilo foi pura poesia, poesia de uma mente pura.

sábado, 29 de novembro de 2008

A crueldade

A insanidade da crueldade me assusta, e o que ela provoca em mim.
Me vejo encurralada, como que num confronto comigo mesma. As coisas que fiz, o que deixei de fazer... tudo me assusta e me persegue.
Quando você é jovem não pensa que determinadas coisas possam te atingir, mas , de repente, em algum momento da vida pode se ver cobrado por elas. É o que acontece comigo.
É como se o fantasma de coisas simples que deixei pra trás, viesse assombrar, soprar nos meus ouvidos.
Você tem a sensação de estar sempre em débito?
Eu tenho. Caminhei pela vida assinando muitas notas promissórias e vivo na iminência do oficial de justiça que pode bater na porta a qualquer momento com um mandado de penhora.
Devo e tenho muito medo da cobrança, de não dar conta de quitar estes débitos.
Outro ponto crítico é a vaidade. Tenho? Não tenho? Como isso funciona?
Às vezes tenho vergonha do que sou. Não da minha essência, sei que sou bem intencionada, sou uma boa pessoa, acima de tudo sou ética nas relações. Mas do que aparento e represento. Isso machuca demais.
Quando você não gosta de algo em você mesmo espera que os outros não vejam, ou tenta superar exaltando alguma outra qualidade que julgue importante. Até que alguém aponta a ferida, te mostra que viu aquilo que você se esforça tanto pra esconder ou minimizar. Mas a crueldade que está nessa verdade é incontestável.
E, por mais que você clame pela sua maturidade pra enfrentar a situação, mais pequeno, insignificante, invisível e capenga você se sente.
É muito cruel.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Eu quero entender

Eu quero entender tantas coisas... nem sei por onde começar.
Quero entender porque um cartão de crédito bloqueia uma compra se ainda há limite.
Quero entender porque a maioria das pessoas acelera no farol amarelo.
Quero entender porque o frio ataca na primavera, e o verão no inverno.
Porque minha cabeça dói quando fico abalada emocionalmente?
Porque os pais insistem em atrapalhar as crianças?
Porque sempre falta dinheiro? ou amor? ou ambos?
Aonde foi parar a ética pessoal?
Cadê o respeito ao ser humano?
O que estou fazendo aqui?
Qual minha função no mundo? na vida?
Porque tudo tem que ter uma explicação?
Porque a vida é injusta?
Deus existe?
Alguém, por favor, me responda.
Agradeço antecipadamente.

sábado, 20 de setembro de 2008

O medo

Entrei na loja e vi aquela linda estátua.
Perfeita!
Os olhos do artista, suas mãos fazem o milagre.
Penso: como posso ser tão medíocre?! Medíocre a ponto de sequer entender o significado da arte.
Para entender a arte há que se ter uma certa fantasia, um pé na imaginação. E não pode ter medo de errar, de arriscar.
Eu não sirvo pra isso. Tenho medo da minha mediocridade.
Arriscar-se é pular no precipício sem saber se chegará vivo ao fim.
É demais pra mim...
Sou concreta ao extremo, sei pensar o que vejo.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Um gesto pequeno e simples:
_mamãe, quero seu colo.
Automaticamente estendo os braços, puxo-o para cima, respiro fundo, enfio o nariz naquele cabelo e cheiro. Que cheiro!!
Meu mundo pára, nada pode ser mais importante ou prazeroso do que isso. Esqueço o que fazia antes daquele pedido. Sou a pessoa mais amada do mundo!

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O bode na sala

O hindu tinha muitos filhos e uma casa pequena para tanto barulho e confusão.
Um dia, exausto pela bagunça e pelo parco espaço, o hindu procura um guru para aconselhá-lo.
Conta suas mazelas e o guru, compadecido de sua dor, aconselha-o a colocar um bode na sala.
Confuso, o hindu vai embora e compra um bode, mesmo sem entender o conselho do guru. Ele chega em casa e coloca o bode no meio da sala, segundo a orientação recebida.
A confusão, que antes já era grande, torna-se insuportável. O barulho, a bagunça, o cheiro, um verdadeiro pandemônio. Deseperado, então, o hindu tira o bode da sala e respira aliviado.
Moral da história??
Tire suas próprias conclusões, ou se estiver muito infeliz com a sua vida... coloque o bode no meio da sala. Vc vai descobrir que nada é tão ruim que não possa piorar.