sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Inferno astral

Nunca acreditei em astrologia, mas admito que o conceito de inferno astral é bastante atraente.
Explicações fantasiosas para eventos funestos de nossas vidas, em geral, acalmam e dão sentido ao sofrimento.
Se é assim, então, encontro-me no auge do meu inferno astral.. Que delícia!
Até dia 27 estarei a deriva, depois desse dia, espero voltar à minha vidinha paranóica habitual.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Not so good

Quando você percebe que não dá conta dos seus problemas e conflitos é importante que tenha a humildade para admitir a impossibilidade. Está na hora de procurar ajuda.
Depois de vários dias sentindo que venho numa descrescente de humor e vontade, resolvi usar os recursos que conheço. Não quero cair, não vou esperar que as coisas se ajeitem por si, vou buscar o que preciso.
Ironicamente este final de semana, assisti um episódio dos Simpsons aonde a Lisa toma consciência de que em 50 anos Springfield vai acabar e entra em depressão profunda. Os pais a levam a uma psiquiatra que receita um remédio chamado "ignorall" e, então, ela passa a enxergar as pessoas com carinhas felizes mesmo em situações trágicas.
Tive uma imensa vontade de correr na farmácia pra saber se realmente existe tal remédio, uma pílula da alienação total.
Há algum tempo sonho com animais nojentos, baratas e outros bichos. Eles aparecem no copo de bebida, na comida, na casa, nas mãos das pessoas que estão comigo. Esta noite sonhei com baratas com pêlos e vários olhos. Seriam apenas sonhos se eu não trabalhasse com isso e não soubesse que existe um significado. Às vezes queria não saber, a ignorância pode ser confortável.
Preciso me cuidar...

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Life is good I




Cena no. 1: a mãe escova os dentes no banheiro, o filho entra e diz:
-Piadinhaaaaa.....
- Hum? - grunhe a mãe
- Mãe, você sabe como o Batman e o Robin se conheceram?
- Hummmmm - mãe finge pensar, afinal não vai estragar o gran finale.
..... alguns segundos depois....
- Como? - pergunta incrédula
- Num bate-papo...hahahahaha

Assim começou meu dia hoje.
Valeu Dudu!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Asas


Nestes dias frios sempre tenho uma sensação de vazio, de falta. Às vezes penso que é a temperatura, às vezes uma saudade não sei de que, uma nostalgia sei lá de onde. Pra aplacar esse sentimento deixo a fantasia rolar solta (acho que sou especialista nisso) e me entrego aos devaneios da minha imaginação.
Fazia tempo que isso não acontecia e, confesso, estava com um pouco de saudade. Não faz bem viver 100% na realidade, desgasta e envelhece.
Apesar dos meus quase 40, tenho a alma adolescente, penso que fiquei presa em algum lugar entre os 17 e 23 anos, duas idades que me marcaram. Fui uma adolescente que sofria demais, em geral por amor não correspondido, talvez por isso hoje me sinta assim... essa nostalgia do encantamento...
Penso que esse é o motivo dos romances mexerem tanto comigo, nos filmes, livros, músicas, histórias, enfim.
Sempre fui Cinderela, imaginava um destino de grande romance, mas a vida não é assim. As coisas são o que são, assim como as pessoas. Na prática do dia-a-dia o romance não tem muita serventia, ou tem? Talvez como refúgio (e acredito que este seja meu caso).
Por isso, durante o meu dia, por vezes fecho os olhos e me deixo transportar para outro lugar, outra história. Como se fosse uma personagem de um filme. Faço uma história, crio um enredo, trilha sonora é fundamental, e este é o meu mundo particular. O lado B, uma felicidade diferente, que nada tem haver com a felicidade da vida real. É apenas outro lugar, menos adulto e racional. Um lugar atemporal, onde o que vale é apenas a minha vontade.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Um pouco disso, um pouco daquilo


Hoje no trânsito, a caminho do consultório para mais um dia de trabalho, tive uma espécie de sonho acordado, uma ilusão ou alucinação... sei lá.
Foi uma percepção repentina e assustadora. Tive a impressão que meu carro voltava a rua de ré numa velocidade inacreditável, apertei o pé no freio bem forte... eu sabia que não saíra do lugar, que era uma falsa percepção, mas mesmo assim meu coração disparou e suei.
Logicamente, como psicóloga não poderia deixar de pensar no significado disso. Vício da profissão, buscar o porque das coisas. Tudo o que me veio em mente foi "falta de controle", "movimento regressivo" e "medo"... muito medo.
Automaticamente lembrei da conversa que tive com um amigo pouco antes de sair de casa, infelizmente não posso revelar o conteúdo da conversa, outro vício da profissão, o sigilo.
Mas penso que compreendi a sensação e , por um segundo, antes do farol abrir puxei o freio de mão, fechei os olhos e me entreguei à sensação de montanha russa, queda livre de costas, sentimentos desenfreados, impotência.
Às vezes os sentimentos são tão concretos que poderíamos pegá-los nas mãos.
Para Luís Gustavo

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Don't worry. Be Happy.

Como é difícil despreocupar-se, deixar que as coisas aconteçam no seu próprio ritmo.
Para uma pessoa como eu é praticamente impossível. Não que eu não tente, eu tento.
Por exemplo, neste exato momento cai uma chuva torrencial lá fora e eu estou aqui tentando escrever pra aplacar a angústia de um enfrentamento.
Não gosto de confusão e brigas, prezo a clareza. Acredito que devemos falar dos sentimentos, expressá-los sem medo, mas ainda nos arraigamos à falsa idéia de que isso nos torna frágeis e vulneráveis.
Não sou frágil, tampouco vulnerável, nunca me vi assim, mas também nunca pensei ser uma fortaleza. Eu apenas me defendo muito bem, foram anos precisando agir dessa maneira pra não ser chutada como cachorro morto.
Eu só quero a oportunidade de viver minha vida. É pedir muito?
Sei que não fiz as coisas da melhor maneira, tudo podia ser muito diferente, mas não é.
Nem Clark Kent pode me salvar girando o planeta ao contrário e voltando no tempo. Nesse ponto penso como Rubem Alves: "se pudesse viver minha vida novamente faria tudo exatemente como fiz até hoje". Eu sou o resultado de tudo o que vivi e, confesso, gosto muito do que vejo no espelho.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Mazelas cotidianas

Sábio Chico!

Quem não sofre pelas mazelas cotidianas? Coisas feitas sempre da mesma maneira, repetidas e repetitivas vezes.

Determinadas pessoas nunca mudam a maneira de agir e de pensar, criam uma resistência e uma rigidez na vida que as impede de ser criativas, de ousar, tentar coisas novas, perder o medo.

Ou simplesmente acomodam-se em comportamentos esperados, pré determinados por uma dinâmica de funcionamento dos relacionamentos que vive.

Freud disse sobre a compulsão à repetição: "repetir para elaborar", mas certas coisas ultrapassam o limite da elaboração e passam para o campo da teimosia e da queda de braço, do "vamos ver quem pode mais".

Ainda há a cegueira, essa é das piores, pois o indivíduo simplesmente não vê ou não relaciona sua atitude com a consequência dela, portanto não muda de atitude. Acha que a culpa é do mundo, do vizinho, do sistema... nunca dele.

Eu sou uma pessoa irritada, nervosa. Algumas coisas pequenas (eu sei) acabam com o meu dia, como por exemplo, repor papel higiênico. Não existe nada de maior mal gosto do que entrar no banheiro da sua casa e perceber que aquele que veio antes de vc não teve a decência de pensar em quem viria depois. Acho isso de uma desconsideração imensa.

Vc pode pensar: "que besteira", ou talvez tenha se identificado e até fique bravo com isso como eu, ou até pode ser um daqueles que nunca repõe o papel e ria dos que se icomodam com isso. Se vc é desse último tipo tenho algo a te dizer: espero, sinceramente, que na próxima ida ao banheiro vc encontre um de seus semelhantes e que seja obrigado a vestir sua roupa íntima sem o devido cuidado e asseio que lhe é peculiar.

Parece que o aprendizado pela dor é a escolha de alguns.

Eu tomei uma decisão. Vou tirar as revistas do banheiro e vou escrever um manual de conduta e procedimento para os usuários, quem sabe assim a coisa muda.