quarta-feira, 9 de junho de 2010

Da carência à necessidade de romance




















Certa vez referi-me a mim mesma como "romântica em excesso", sempre pensei em mim como uma pessoa extremamente romântica, tive então uma surpresa ao ser definida como "carente, não romântica" por uma pessoa que mal me conhecia.
Uma coisa curiosa é como as definições parecem particularmente importantes em alguns momentos, e também como a opinião alheia adquire peso e significado quando buscamos alguma outra referência que nos ajude a compreender algum conflito interno. (Tô falando igual a psicóloga...rs)
Será verdade que o poeta só é grande se sofrer, como disse Vinícius?
A carência, o romântismo, o sofrimento produziram grandes músicas, lindas poesias, contos e romances, novelas e filmes, talvez mais do que qualquer outro sentimento. Por algum motivo nós nos ligamos mais nas histórias de superação.
Joseph Campbell nos falou sobre a jornada do herói, aonde todo caminho passa por desafios, sofrimento, superação e transformação. Talvez alguns de nós estacionem no sofrimento e simplesmente não consigam dar o próximo passo. Talvez outros precisem passar mais tempo em algum desses estágios, há outros que sequer saem do lugar nessa jornada.
Aonde eu estou na minha jornada?
Parei em algum lugar na floresta escura e agora não consigo sair?
Ou será que estou prestes a sair mas ainda falta matar algum dragão?

Estava escutando Nana Caymmi cantando "Eu não existo sem você" e foi inevitável questionar se esse tipo de amor existe ou é produto da carência/romantismo do poeta?

terça-feira, 18 de maio de 2010

Tudo é tudo e nada é nada


"Tudo é tudo e nada é nada", como diria o filósofo Tim Maia.
Basicamente, o que podemos concluir daí, é que não existe meio termo. Tudo ou nada.
Sempre nos extremos... sim ou não... quer ou não quer... pode ou não pode... fica ou vai... o eu ou ele. Nunca há espaço para as duas coisas. Será que não se pode querer e não querer ao mesmo tempo?
Somos realmente limitados. E o que nos limita é a impossibilidade de viver plenamente cada momento, impossibilidade que só é real dentro de nós mesmos. Pois, de fato, não há nada que nos impossibilite.
As rédeas são imaginárias, assim como as prisões e as correntes.
Poderíamos dizer que tudo é nada e nada é tudo e, ainda assim, seria poético e faria sentido dentro do que cada um sente como tudo e como nada.
Um único instante pode ser visto, sentido e interpretado de várias maneiras e por vários ângulos, a questão é ampliar a consciência e se permitir viajar.
Portanto tudo é tudo e nada ao mesmo tempo. Não podemos ter tudo e também não podemos ter nada, sempre há algo... que talvez não tenha denominação, não é tudo e não é nada.
Talvez Florbela esteja certa...
“Eu quero amar, amar perdidamente! / Amar só por amar: Aqui...Além.../
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente... Amar! Amar! E não amar ninguém!”.
Tudo e nada ao mesmo tempo.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Tempo



O que eu tinha pensado mesmo em escrever?

Já não lembro mais... ultimamente é assim, observo cenas e penso em escreve-las, em seguida esqueço-as como se nunca as tivesse visto.

Tem sido assim na minha vida. Enxurradas de acontecimentos, sentimentos e idéias que depois viram nada, viram pó, vão com o vento. Luto pra não esquecer, mas estou muito cansada.

Eu me sinto cansada na maior parte do tempo e luto pra não me sentir assim nas 24horas dos 365 dias dos anos que ainda virão. Não dá pra tirar férias da vida, não dá pra dar um intervalo e voltar em seguida. Lembro o Cazuza "o tempo não pára", não pára.

Bruno Steinbach (b. 1958, Brazil) "Abraço", 2004 óleo/tela 100 x 80 cm

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Sobre como perder a confiança nas pessoas e outras histórias


Confiança é coisa delicada. Demoramos um século para conquistá-la e um segundo para perdê-la.
É assim.
Nestes dias tenho passado por situações bem complicadas que colocaram em jogo a confiança que tenho em algumas pessoas. Neste exato momento meu estômago retorce e minhas mão tremem de raiva depois de uma discussão inútil com uma pseudo-amiga.
Para perder a confiança no outro basta ser traído por ele. Traído nas idéias, na lealdade, no compromisso. Ser traído não é apenas ser trocado.
Minha avó dizia: "não abaixe demais pois aparece a bunda". Você pode até achar isso engraçado, mas é de uma sabedoria única. Junte essa frase à afirmação do Nelson Rodrigues: " a responsabilidade da traição é sempre do traído" e então pode-se tirar conclusões bombásticas.
Hora do mea culpa... com certeza a culpa foi minha... e não tem nada de coitadice nisso.
Abaixei demais a vida inteira, passei toda a existência mostrando a bunda (minhas fragilidades) aos outros e depois me questiono do porque só tomo no c... sem KY (que me desculpem os puritanos).
Preciso dar um jeito de apagar esse letreiro luminoso na minha testa que diz: IDIOTA.
Só consigo sentir raiva, é só o que me resta...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Sobrevivendo...

Viver é relativamente simples.
Dormir, comer, beber...
O difícil mesmo é sobreviver.
Querer, amar, sofrer, pensar, perdoar, fazer, controlar...

sábado, 26 de dezembro de 2009

Feliz Ano Novo!


"Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda feira, do primeiro dia do mês e de cada ano novo é que nos dão a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça..."
Mário Quintana
Feliz 2010!