quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

"Perdoa-me por me traíres"


"Amar é ser fiel a quem nos trai"
Nelson Rodrigues
Me mandaram assistir esse filme, sinceramente, não tenho a mínima vontade mas o título chamou minha atenção.
Embora muito tenha pensado a respeito admito que não entendo a frase, talvez não como deveria entender.
Busquei a música do Chico que sugestivamente se chama "mil perdões" e acabou que entendi menos ainda.
Mas então veio o Nelson Rodrigues e explicou tudo daquele jeito dele. Ele disse: "a responsabilidade da traição é basicamente do traído... alguma coisa deixou de fazer que levou o parceiro a buscar em outras camas..."
O Nelson é f...

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Todos os beijos que não dei, todos os carinhos que não fiz...

Outro dia uma amiga me perguntou: "o que você acha de transar no primeiro encontro?".
Confesso que fiquei desconcertada, pêga totalmente de surpresa, não sabia o que responder embora soubesse exatamente a resposta que ela queria escutar.
De cara defendi-me perguntando o que estava acontecendo com ela, e tentando desprezar a obviedade da conversa. Ela respondeu " estou com um novo affair e tá rolando um lance, mas não quero que pareça vulgar". Retruquei: "e o seu namorado? terminaram?", e a resposta "não, esse é outro problema, a relação esfriou demais depois que ele me traiu".

Bem, esse diálogo é o meu post de hoje. Sincronicamente ouvi histórias semelhantes durante toda a semana e isso me fez pensar muito.
Pensar no compromisso (mantido ou desfeito), nas traições e acomodações dentro de um relacionamento, nas dificuldades de enfrentamento, nos desejos encobertos, nos afetos fragmentados.

Relacionamento é um negócio complicado. Quando solteiros temos a expectativa de encontrar a "cara metade" e, por ensaio e erro, vamos pulando de galho em galho. Uma decepção aqui, uma paixão não correspondida ali e assim vai. Até que aparece alguém (ou não) que pode corresponder ao esperado e, por tantos motivos, nos juntamos na chamada "vida em comum". E, então, acaba a novela... engano... é aqui que a novela realmente começa.
Já ouviram aquela frase que diz: "todo conto de fadas termina quando deveria começar"?... pois é...

No casamento descobrimos que fadas não existem. Na promessa de amor eterno há muita crueldade, acho que isso é negócio da bruxa malvada.
Até que a morte os separe pode ser tempo demais para alguns ou soar como uma condenação para outros. O fato é que pensamos que casamento garante amor e segurança, é por isso que nos decepcionamos, pois a realidade é o que ela é.
Nenhum homem é príncipe encantado, nenhuma mulher é princesa em perigo. Mas essas figuras povoam nosso imaginário com tanta força que fica difícil lidar com mundos tão diferentes.

Você já se perguntou porque tantas mulheres leram Crepúsculo e se apaixonaram perdidamente pelo vampiro Edward Cullen? Fantasiaram e suspiraram pelos dotes protetores e afetivos do rapaz? Ora, eu fui uma delas e digo que esse é o homem dos sonhos de todas as mulheres. Bonito, gentil, incondicionalmente apaixonado, romântico, misterioso e com uma aura de perigo. Um misto de príncipe encantado com lobo mau.

A questão mora em outra instância.
O que acontece depois que príncipe e princesa se casam?
O que acontece quando o mistério e o perigo acabam?
O que acontece depois que o lobo mau morre?

Tenho a impressão que, muitas vezes a tendência é procurar a "felicidade eterna" em outros reinados, sejam reais, imaginários ou até mesmo, virtuais.

sábado, 21 de novembro de 2009

O último a sair apague a luz

Quando os pensamentos não te deixam mais dormir. Não há passiflora que resolva, não há reza, nem pedido.
A insônia vem e povoa a imaginação. Você viaja, voa, plana, deixa que a tempestade te leve... e ela leva...
E então o medo, a covardia, as ressalvas, a ética ou seja lá como isso possa ser chamado te traz pra uma consciência cruel. Te segura pela mão e conduz para os cantos mais obscuros da sua imaginação, te faz sentir culpa e dor... e medo... muito medo.
Medo de arriscar algo novo, medo de (quem sabe) ser feliz, medo de errar e de ferir ou ser ferido, medo de viver.
Você dorme de cansaço, mas o sono é difícil e entrecortado. Os sonhos povoam a sua fantasia e por alguns segundos você pode ser a princesa indefesa salva pelo encantado e corajoso príncipe que enfrenta e destrói o dragão.
Porém, logo os pensamentos voltam e não há calmante, relaxamento ou exercício de respiração que te dê forças para expulsá-los.
... e então outro dia começa, e você se ilude dizendo que talvez acordado seja mais fácil...
O último a sair, por favor, apague a luz.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A espera

Sua principal característica sempre fora a impaciência.
Nunca parava pra pensar nisso, mas era tremendamente ansiosa e imediatista.
Uma de suas músicas preferidas dizia: "I want it all and I want it now" na voz potente de Freddie Mercury.
Pontualíssima, sempre chegava aos compromissos com quinze minutos de antecedência. Nunca faltava às sessões de terapia. Justificava sua obsessividade dizendo "sou virginiana".
Todos sabem da fama dos virginianos... organizados, pontuais, exigenes, chatos e outras características que, por si só, definiam quem ela era.

Exceto por um mínimo detalhe que ela se esforçava em esconder, seu ascendente era em Peixes, o oposto de virgem. Isso causava tempestades incríveis de humor. Ora sensível e chorona, ora racional ao extremo.
Incompreendida. Era assim que se sentia.
E sempre se perguntava: "quantas de mim cabem em mim mesma?". Sem ao certo saber o que isso significava.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Quando o passado se torna presente

De repente tudo aquilo que você imaginava ter enterrado, em algum lugar do passado, volta à vida. Nesta hora você descobre que nada havia morrido, estava ali adormecido, quieto, mas não morto.
Mistura de sentimentos, afinal você passara boa parte do seu tempo velando e enterrando mortos e, quando acreditava que a dor passara e a perda fora inevitável, eis que tudo ressurge com força total.
Dor e alegria.
Desejo imenso de voltar no tempo e, talvez, mudar o rumo dos acontecimentos.
Experimentar outras escolhas, só pra ver aonde te levam. Mas não é possível... essa é a crueldade da vida... cada escolha é única e traz outra e outra e outra... nunca mais a mesma.
O tempo passa, as pessoas mudam, nós mudamos e aprendemos que não devemos olhar pra trás, nunca.
Orfeu perde Eurídice pra sempre ao olhar para trás, não há mais volta, não há possibilidade de retomar sua alma. Assim nos sentimos ao olhar para o passado, parece que parte da alma ali ficou... e não há mais volta...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Herói

O verdadeiro herói não precisa de reconhecimento, não espera nada em troca.
O verdadeiro herói não se vangloria de seus atos, apenas espera que a humanidade seja melhor


video

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Resiliência

Palavra esquisita.
Do latim resalire, que quer dizer saltar de volta.
Na física mecânica designa a capacidade de um material voltar a seu estado original após um choque.
Na ecologia refere-se à capacidade do ecossistema de recuperar seu desenvolvimento após sofrer um trauma.
Na informática é a capacidade do sistema ou rede continuar em funcionamento em caso de pane.
E finalmente, na psicologia é a capacidade de superar o trauma.

Ou seja, resiliência essa palavra tão moderninha embora antiga, traduz a flexibilidade, capacidade, possibilidade de superação do trauma, da pane, do choque, do sofrimento.

Vivemos na era da ditadura da felicidade.
Fluoxetina para crianças. Somos obrigados a ser felizes e se nos atrevemos à tristeza, somos doentes.

Quem acredita na resiliência?