terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Todos os beijos que não dei, todos os carinhos que não fiz...

Outro dia uma amiga me perguntou: "o que você acha de transar no primeiro encontro?".
Confesso que fiquei desconcertada, pêga totalmente de surpresa, não sabia o que responder embora soubesse exatamente a resposta que ela queria escutar.
De cara defendi-me perguntando o que estava acontecendo com ela, e tentando desprezar a obviedade da conversa. Ela respondeu " estou com um novo affair e tá rolando um lance, mas não quero que pareça vulgar". Retruquei: "e o seu namorado? terminaram?", e a resposta "não, esse é outro problema, a relação esfriou demais depois que ele me traiu".

Bem, esse diálogo é o meu post de hoje. Sincronicamente ouvi histórias semelhantes durante toda a semana e isso me fez pensar muito.
Pensar no compromisso (mantido ou desfeito), nas traições e acomodações dentro de um relacionamento, nas dificuldades de enfrentamento, nos desejos encobertos, nos afetos fragmentados.

Relacionamento é um negócio complicado. Quando solteiros temos a expectativa de encontrar a "cara metade" e, por ensaio e erro, vamos pulando de galho em galho. Uma decepção aqui, uma paixão não correspondida ali e assim vai. Até que aparece alguém (ou não) que pode corresponder ao esperado e, por tantos motivos, nos juntamos na chamada "vida em comum". E, então, acaba a novela... engano... é aqui que a novela realmente começa.
Já ouviram aquela frase que diz: "todo conto de fadas termina quando deveria começar"?... pois é...

No casamento descobrimos que fadas não existem. Na promessa de amor eterno há muita crueldade, acho que isso é negócio da bruxa malvada.
Até que a morte os separe pode ser tempo demais para alguns ou soar como uma condenação para outros. O fato é que pensamos que casamento garante amor e segurança, é por isso que nos decepcionamos, pois a realidade é o que ela é.
Nenhum homem é príncipe encantado, nenhuma mulher é princesa em perigo. Mas essas figuras povoam nosso imaginário com tanta força que fica difícil lidar com mundos tão diferentes.

Você já se perguntou porque tantas mulheres leram Crepúsculo e se apaixonaram perdidamente pelo vampiro Edward Cullen? Fantasiaram e suspiraram pelos dotes protetores e afetivos do rapaz? Ora, eu fui uma delas e digo que esse é o homem dos sonhos de todas as mulheres. Bonito, gentil, incondicionalmente apaixonado, romântico, misterioso e com uma aura de perigo. Um misto de príncipe encantado com lobo mau.

A questão mora em outra instância.
O que acontece depois que príncipe e princesa se casam?
O que acontece quando o mistério e o perigo acabam?
O que acontece depois que o lobo mau morre?

Tenho a impressão que, muitas vezes a tendência é procurar a "felicidade eterna" em outros reinados, sejam reais, imaginários ou até mesmo, virtuais.

4 comentários:

João Cláudio Cote disse...

Apenas mimetismo. Nos defendemos uns dos outros e vemos o que desejamos ver.

Tatíssima Martinelli disse...

príncipes e princesas encantados não existem, mas amor existe. E enquanto ele existe, tem jeito. Qdo ele vira agradecimento, conveniência ou "fico aqui mesmo que dá menos trabalho", é pq tá na hora de dar um 2012 na vida...

Anna disse...

Pois eu continuo acreditando no príncipe e na "felicidade eterna"...

Pode até ser porque eu ainda não reconheci o príncipe ou porque o meu conceito de príncipe e felicidade tem mudado muito com os anos (graças a Deus)...

Mas que eles existem, ah existem!

gigi disse...

vc disse tudo!
nem tudo é um conto de fadas...
bjus